Comércio externo impulsiona o crescimento da China, enquanto procura interna enfraquece
O relatório “Economic Outlook” da Crédito y Caución prevê um crescimento da economia chinesa de 4,8 % este ano e de 4,6 % em 2027.

A China continua a ser um pilar fundamental do crescimento mundial, mas depende cada vez mais do aumento da procura externa para compensar a fragilidade do consumo das famílias e do investimento. O relatório “Economic Outlook” da Crédito y Caución prevê um crescimento da economia chinesa de 4,8 % em 2026, apesar do enfraquecimento do contexto externo, e de 4,6 % em 2027, à medida que o estímulo orçamental perde força e as fragilidades estruturais da procura interna travam a atividade.
Um dos fatores que explicam o dinamismo económico é o impulso das exportações chinesas, principal motor do crescimento em 2026. No primeiro trimestre do ano, registaram um sólido aumento homólogo de 17%. O país está a tirar partido da resiliência da sua cadeia de abastecimento e da crescente competitividade dos seus produtos. A par disso, o investimento em energias renováveis, impulsionado pela guerra no Irão, e em infraestruturas relacionadas com a inteligência artificial está também a aumentar a procura.
A China continua profundamente enraizada nos setores da eletrónica, do hardware relacionado com a inteligência artificial, da energia limpa, dos veículos elétricos, das baterias, dos painéis solares e dos minerais críticos, o que permite que o país desempenhe um papel central, tanto no comércio regional, como na transição energética mundial.
Além disso, a China está a resistir melhor aos efeitos da crise dos preços da energia, graças às suas grandes reservas estratégicas de petróleo, à sua posição de liderança no fabrico de tecnologias de energia limpa e à importância que o carvão continua a ter na procura de energia primária.
Pelo contrário, espera-se um enfraquecimento do consumo, apesar de a inflação se manter moderada. As autoridades comprometeram-se a impulsionar a despesa das famílias, mas o apoio das políticas teve, até à data, um efeito limitado. Na ausência de reformas mais profundas, é pouco provável que o consumo funcione como motor estável do crescimento a curto prazo.
Outro dos desafios que a economia chinesa enfrenta é um possível aumento do rigor da supervisão das cadeias de abastecimento, dos minerais críticos e das exportações de tecnologia, a par de medidas que possam entrar em conflito com os requisitos ocidentais. Tudo isto poderá aumentar os custos de conformidade regulamentar, a incerteza nas cadeias de abastecimento e a volatilidade dos preços. Estes desenvolvimentos podem também incentivar as empresas a diversificar as suas fontes de abastecimento e a reduzir a sua dependência da China.
Sobre a Crédito y Caución
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